ONU debate violência política em Belarus

Conselho de Direitos Humanos debate violência política em Belarus

Forças de segurança estão repreendendo manifestantes que saíram às ruas contra o resultado das eleições presidenciais, de 9 de agosto, que deram vitória a Alexander Lukashenko; alta comissária Michelle Bachelet disse que ciclo de violência no país deve ser quebrado.

Os 47 países-membros do Conselho de Direitos Humanos analisaram nesta sexta-feira a mais recente onda de violência em Belarus. 

Milhares de pessoas foram presas no país após a repressão violenta de forças de segurança a protestos de rua contra o resultado das eleições presidenciais, no mês passado. 

Prêmio Nobel 

Vários relatores de direitos humanos descreveram a situação agravada pelo uso excessivo da força contra manifestantes que saíram às ruas por discordar da reeleição do presidente Alexander Lukashenko.  

Um dos grupos mais atingidos é o Conselho de Co-Coordenação com sete líderes, entre eles uma vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, Svetlana Alexievich.  Apenas dois desses líderes ainda se encontram no país.  

Num discurso, a alta comissária para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, lembrou que o último pleito presidencial em 2010 já havia sido marcado por violência policial. 

Crimes 

Na época, houve uma forte repressão aos opositores políticos, grupos de direitos humanos e da mídia com centenas de detenções.  Apenas algumas recomendações do Conselho de Direitos Humanos foram implementadas após as eleições de 2010. 

Desta vez, o Escritório de Bachelet recebeu relatos de milhares de prisões e centenas de denúncias de tortura, maus tratos e outros abusos e violações contra os manifestantes. 

Bachelet contou que autoridades bielo-russas estão indiciando opositores políticos de forma agressiva por crimes. Em alguns casos, as detenções duram até 25 dias por “desordem”. 

Internet 

Uma outra preocupação é a prisão de jornalistas trabalhando para informar sobre os protestos. Muitos foram maltratados, tiveram seu equipamento e credenciais confiscados e sofreram assédio legal. Desde as eleições, de 9 de agosto, as autoridades de Belarus também passaram a restringir o acesso à internet.  

Bachelet disse que está “alarmada” com centenas de alegações de tortura pela polícia.  As vítimas e os advogados delas estão com receio de denunciar os casos com medo de retaliações. 

Para a alta comissária é vital para o futuro de Belarus que esses ciclos de repressão e violência acabem. 

Segundo agências de notícias, pelo quinto domingo consecutivo, mais de 100 mil pessoas saíram às ruas da capital Mink pedindo a renúncia do presidente Lukashenko. 

Sociedade civil 

Bachelet, que foi presidente do Chile por duas vezes, disse que o mais importante elemento de um governante é escutar.  

Para ela, instabilidade e conflitos são destrutivos e caros a qualquer país. Para a alta comissária, a sociedade civil é um parceiro de valor e não uma ameaça. 

A alta comissária pediu às autoridades em Belarus que cumpram suas obrigações internacionais e os tratados de direitos humanos que firmaram e que busquem um diálogo transparente em vez de repressão com os manifestantes. 

Investigação 

Ela disse que os detidos devem ser postos em liberdade e o assédio deve terminar. 

Michelle Bachelet também instou as autoridades a investigarem de forma transparente, independente e imparcial as alegações de abusos e violações dos direitos humanos para garantir a prestação de contas para as vítimas. 

Por Jornalista Márcio Batista

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